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terça-feira, novembro 25, 2014

Cosntantine e O Anel de Salomão.



John Constantine está mandando ver no novo seriado. Semana passada eu comentei sobre sua tatuagem em hebraico e sua possível interpretação. Essa semana, no episódio:  A Feast of Friends (Tradução livre:  “Um banquete de amigos”) – Para quem não lembra, esse é o título de uma música do “The Doors” -  Constantine me surpreendeu com uma cena onde ele usa o Anel de Salomão (Também chamado de: Selo de Salomão). E claro que eu tive que fazer alguns comentários aqui no blog.
Assista a cena e depois conversamos:




Pois é... Como pudemos ver, a Zed achou que era a famosa Estrela de David (Maguen David). Mas Constantine explicou que se tratava do Taba’at Shlomon (Anel de Salomão) e que esse selo era usado pelo Rei Salomão para aprisionar gênios (Jinni) e que este selo é perfeito para confeccionar recipientes que aprisionam demônios.
Tá, beleza... É só um seriado de TV baseado em um personagem de Histórias em Quadrinhos. Mas de onde os autores do episódio (David S. Goyer e Cameron Welsh) tiraram essa idéia? Pois aparentemente, isso não é nada judaico. Ou é?

Gênios ou demônios.

Na cena de Constantine, primeiramente ele diz que Salomão recebeu esse anel diretamente do Céu para aprisionar gênios. E conclui que o anel é tão poderoso que consegue aprisionar demônios. Mas afinal, qual a diferença de gênio e demônio?

Gênio – Da palavra árabe “Djin” – Fazem parte tanto da tradição árabe pré e pós islâmica. São seres elementares de livre arbítrio criados antes da criação da alma de Adam (Adão). Não confundir com os anjos (Melachim) pois os anjos são mensageiros e nãopossuem livre-arbítrio. Quando o Eterno criou Adam, eles se rebelaram contra D’us, pois não aceitavam a nova criatura. Pela sua rebeldia, foram expulsos do Paraíso se tornando seres perversos. Seu líder Ibilis foi atirado com todos os outros Djini na Terra.

Demônio – Da palavra Daemon ou daimon (grego δαίμων, transliteração dáimon, tradução "divindade", "espírito"), é muito semelhante aos gênios da mitologia árabe. A palavra daimon se originou com os gregos na Antiguidade; no entanto, ao longo da História, surgiram diversas descrições para esses seres. O nome em latim é dæmon, que veio a dar o vocábulo em português demônio.

No fim das contas, dá no mesmo. São mitos de povos diferentes, mas com muita semelhança em comum. Ambos são seres elementais que infernizam a vida das pessoas. É possível se especular que, a semelhança dos mitos eram tão parerecidas, que tanto não seria difícil que se fizessem uma ligação entre esses espíritos malignos e em um determinado momento, o mito do Anel de Salomão fosse usado tanto para os djinni quanto para os Daemon.



O que diz o Talmud sobre o Anel de Salomão?

Sim... é de origem judaica. Há um registro muito, muito, muito doido sobre o Anel de Salomão no Talmud, tratado de Gittin 68a-b. Nessa guemarah, os rabinos discutiam sobre o fato de que não se ouvia barulho de machado, martelo ou qualquer outra ferramenta na Construção do Primeiro Templo. Quando os rabinos questionaram como foi possível cortarem as pedras sem ferramentas de ferro, foi respondido que foi usado o Shamir. Não se sabe exatamente a natureza desse shamir. Maimônides e Rashi comentam que o shamir era um animal que cortava as pedras com o olhar. Já o testamento de Salomão diz que o shamir era um mineral verde retirado do Efode do Cohen Gadol (Sumo Sacerdote). Já, nas versões traduzidas cristãs, shamir é erroneamente traduzido como diamante ou espinhos. Por que erroneamente? Pois shamir é shamir e pronto, não tem tradução! Seja lá o que era esse shamir, deixou os rabinos em dúvida e curiosidade. A questão era: Como matar essa curiosidade. Alguns rabinos disseram:
Traga uma demônio macho e fêmea e os amarrem juntos; talvez eles saibam e irão lhes dizer. Então ele [Salomão] trouxe um demônio macho e uma fêmea e os amarraram juntos. Eles [Os demônios] disseram a ele [Salomão]: Nós não sabemos, mas talvez Ashmedai [Asmodeus] o príncipe dos demônios saiba. Eles [os demônios] Disseram [para] Ele [Salomão]. Ele [Salomão] disse a eles [os demônios]: Onde ele [Asmedai] está?”   Talmud Bavli - Gittin 68a-b


Sim, isso mesmo que vocês leram. De acordo com o Talmud, havia alguma coisa que tinha o poder de cortar
Ilustração mais conhecida
de Asmedai (Asmodeus).
pedras chamada shamir. Então Salomão querendo ter posse desse shamir para cortar as pedras do Templo, prendeu dois demônios macho e fêmea e perguntou para eles onde estava o shamir, os demônios não sabiam mas seria possível que o demônio Asmedai (Asmodeus) – o príncipe dos demônios – soubesse aonde estava o shamir. Na mesma hora, Salomão perguntou aonde estava Asmedai. O casal de demônios amarrados, disseram que Asmedai estava em uma certa montanha, onde Asmedai havia cavado um poço e enchido com água e cobriu com uma pedra e a lacrou com selo. Todo dia ele subia aos céus e estudava em uma Academia Celeste e depois descia para estudar na Academia Terrena e depois examinava o selo. Abria o poço e bebia da água, fechava e lacrava o poço de novo e ia embora. Então, Salomão (que era muito inteligente, em vez de ir, mandou outra pessoa em seu lugar para prender o demônio) mandou pra lá 
Benaiahu filho de Jehoiada, dando a ele uma corrente na qual estava inscrito o nome Divino e um anel (finalmente, o anel) que também estava escrito o Nome do Eterno. Levou uma tosa de lã e uma garrafa de vinho. Benaiahu cavou um poço um pouco mais abaixo da montanha fazendo com a água fosse drenada. Depois tapou o dreno com a lã. Agora com o poço vazio, Benaiahu  pôs vinho no poço. Depois se sentou em uma árvore e esperou Asmedai cair na armadilha. Não tardou para que Asmedai fizesse sua visita diária a Terra e dar aquela examinada básica no selo de seu poço e beber uma água. Só que ao invés de água, o poço tava cheio de vinho. E todos sabem o que acontece quando se bebe vinho. Pois é, o Príncipe dos Demônios ficou doidão e caiu no sono.  Daí é só seguir a lógica. Com o Asmedai bêbado, Benaiahu desceu da árvore e acorrentou o Coisa-Ruim dizendo: “O Nome do seu Mestre está sobre vós!”

Então Benaiahu filho de Jehoiada levou o Coisa-Ruim para Jerusalém. No caminho rolou uma porção de tretas muito loucas (que eu preferi suprimir, pois é enorme e não irá influenciar na pesquisa sobre o Shamir e o Anel de Salomão. Talvez quem sabe em uma outra oportunidade). Continuando... Quando o Tinhoso chegou em Jerusalém teve uma audiência com o Rei Salomão que disse ao demônio:

“[Rei Salomão diz:] O que eu quero é construir o Templo e eu preciso do shamir. Ele [o Demônio] disse: Não está em minhas mãos, está nas mãos do Príncipe dos Mares que apenas dará [o shamir] para o pica-pau a quem ele [O Príncipes dos Mares] confiou [a guarda do shamir] em juramento.” – Gittin – 68a

O que um pássaro vai fazer com o shamir?! De acordo com o que se segue no Talmud, o pica-pau leva o shamir para o alto de uma montanha que não possui vegetação e coloca na ponta de uma pedra. Então shamir se divide e nascem sementes. Então o pica-pau pega essas sementes e as cultiva.
Assim que Salomão descobre que o shamir pode estar com o pica-pau e o pica-pau deve estar na montanha, mais uma vez, Benaiahu filho de Jehoiada foi lá e fez outra armadilha. Dessa vez ele encontrou o ninho do pica-pau, pois um vidro branco cobrindo o ninho e esperou. O pica-pau (que não era tão esperto quanto o seu primo dos desenhos) tentou várias vezes entrar no ninho sem sucesso. Então ele se lembrou e foi buscar o shamir, que corta qualquer coisa. Quando o pica-pau começou a cortar o vidro, Benaiahu deu um susto no pássaro, que voou pra longe deixando cair o shamir. Benaiahu na hora pegou o shamir e levou para o Rei Salomão. Mais tarde o pica-pau suicidou por vergonha de ter quebrado o juramento ao Príncipe dos Mares (Também conhecido como Rahav or Rahab).

Daí já sabemos. Salomão construiu o templo usando o shamir para cortar as pedras. Salomão manteve o Asmedai (Asmodeus) até o fim da construção do Templo. Mas num belo dia... Quando Salomão estava sozinho como Asmedai e começou a conversar com o Coisa-Ruim. Salomão disse que ele o teve como se fosse to'afot reem. Salomão se referia à passagem da Torah em Shemot/Números:

אל מוציאו ממצרים כתועפת ראם

D’us o tirou do Egito; as suas forças são como as do boi selvagem - shemot/números 24:08)

Salomão então explica que to’afot significa comandar anjos e reem significa comandar demônios. Nesse momento, Asmedai desafia Salomão e pergunta qual a superiodade que Salomão tinha sobre os anjos e demônios. Depois disse:

“Tire essas correntes e me dê seu anel. E eu vou te mostrar.” (Gittin 68b)

E aceitando o desafio do Cramulhão, Salomão tirou as correntes e deu-lhe o anel. Assim que Asmodeus pegou o anel, o engoliu. Então colocou uma asa no céu, outra na terra e arremessou o Rei Salomão 400 parasangs (1 parasang equivalem a 6 Km. Logo, Salomão foi arremessado por 2400 Km) começando assim o exílio do Rei Salomão enquanto quem estava no trono era o demônio Asmedai. Mas isso é uma outra história para outra ocasião.

Eu num disse que o bagulho era doido?

Por fim, podemos dizer que sim, o mito do Anel de Salomão é de origem judaica e como no episódio de Constantine,  tem o poder de aprisionar demônio. O Anel de Salomão não está só documentado no Talmud, mas também Josephus ("Ant." viii. 2, § 5) narra o episódio em que Eleazar exorciza um demônio na presença de Vespasiano através de um anel, usando encantamentos compostos pelo Solomon Fabricius  (Artefato de Salomão).

Hexagramas apareciam em proeminentes literaturas esotéricas judaicas no início do período medieval e alguns autores levantam a hipótese que o Selo de Salomão possam preceder antes do início do Islã (Século 6 e.c) e datar do início da tradição esotérica rabínica, ou no início da alquimia do judaísmo helenizado do século 3 e.c no Egito. Mas não há evidencias que comprovem. Mas há evidencias concretas de que entrou na tradição cabalística pela Espanha medieval (Sefarad) através da literatura árabe.

Leia também: Tatuagem em hebraico em John Constantine.


A influência árabe.

E como eu disse no início, o Anel de Salomão é judaico e ao mesmo tempo também não é judaico. Haja vista que outras culturas também absorveram a ideia do anel de Salomão. Os árabes, não só absorveram essa cultura, mas também a desenvolveu inserindo novos elementos.
Foram os árabes que nomearam as estrelas de seis pontas gravadas nos fundos dos copos como Selo de Salomão (Onde selo pode ser interpretado como sinete). Está relacionado à história das “Mil e uma noites” (Capítulo XX) no qual Sinbad, em sua sétima viajem, presenteia Harun AL-Rashid um copo no qual havia uma tabula de Salomão gravado em seu fundo.

Os escritores árabes declararam que também que Salomão recebeu quatro jóias de diferentes anjos, e ele os colocou em um único anel (Não, não confunda com o Um Anel do O Senhor dos Anéis) assim podendo controlar os quatro elementos. Também foram os árabes que usando a tradição judaica de que o anel possuía o Mais Importante Nome de D’us (alguns autores diz se referir ao tetragrama ou quem sabe o nome de 72 letras?), acrescentaram o fato de que o anel foi dado diretamente do Céu. O anel era feito de bronze e ferro e as duas partes eram usadas para selar documentos de comando para espíritos bons e maus. Em um dos contos, o demônio Asmedai (Asmodeus) – (alguns dizem que foi Sakhr) tomou o anel e reinou por quarenta dias. Em uma variante do conto do anel de Policrates de Heródoto, o demônio eventualmente jogou o anel ao mar que foi engolido por um peixe. Depois o peixe foi capturado por um pescador que devolveu o anel ao Rei Salomão. Na escatologia muçulmana, o Dabbat al-ard (a Besta da Terra) possui o cajado de Moisés e o Selo de Salomão e usará para estampar o nariz dos infiéis.

Voltando aos Quadrinhos.

Seraph possui o
Anel de Salomão
O herói Seraph - DC Comics
Não posso terminar de falar de O Anel de Salomão sem mencionar o mais judeu de todos os super-heróis judeus. Sim, estou falando do Seraph. E por que ele é o mais judeu dos judeu?? Pois ele nasceu em Israel e não nos Estados Unidos. Seraph, Um professor judeu de Israel de nome Chaim Lavon. Ele possuía a força de Shimshon (Sansão), o cajado de Moisés (que aumentava de tamanho e produzia terremotos e controlava os mares), o manto de Elijah (Elias - Que dava a Seraph certa invulnerabilidade) e claro o Anel de Salomão (Que dava inteligência e o teleportava para qualquer lugar).

Brevíssima conclusão

Eu sempre fico contente ao ver autores que se preocupam com pequenos detalhes e fazem o dever de casa quando escrevem livros, seriados, filmes, etc. Os autores desse episódio estão mais de que de parabéns.
O que achei super digno de nota, foi o fato de que foi usado o Anel de Salomão para aprisionar um demônio. Segundo a conversa entre Constantine e a Zed (Se vc não viu o vídeo que eu pus  no início do post, não se preocupe, eu pus de novo aqui em baixo). Mesmo com poucas palavras, os autores disseram muita coisa. Inciando com o fato de que o Selo de Salomão não é a Estrela de David (Maguen David). Depois ele explica que Salomão usava o anel para prender gênios (djins), e os autores o fizeram o Constantine gravar o selo de Salomão em uma garrafa, uma bela alusão aos mitos dos gênios na garrafa das Mil e Uma Noites. E por fim, a relação entre gênios e demônios.

Claro que há outras conexões bem interessantes no episódio. A questão do nome: “Feast of Friends” (Banquete de amigos). Onde um antigo colega de banda de Constantine e viciado em drogas pesadas, soltou um Demônio de Fome. Esse demônio é possui uma fome voraz e obriga a pessoa incorporada incontrolavelmente matar o desejo de comida e paralelo a isso, o amigo do Constantine também é incontrolável em sua necessidade por drogas e de pano de fundo, esse demônio de fome agia no Sudão, se aproveitando da fome das pessoas miseráveis. Muitos paralelos e conexões interessantes que merecem ser apontadas.
E terminando esse post, vou deixar uma pergunta no ar. Se você leu esse post até aqui eu te pergunto: Qual a diferença entre a Estrela de David e o Selo de Salomão?

Leia também: Tatuagem em hebraico em John Constantine.


Seal of solomon ring of solomon star david

segunda-feira, março 10, 2014

Capitão América - Defensor do American Way e do Povo Judeu. (Atualizado)



O que a Torah diz sobre o Capitão América? Qual as ligações entre o herói e judaísmo? Qual lição aprendemos com o Capitão América?


Como conheci o Capitão América

Eu achava que o Capitão Aza e o Capitão América eram
a mesma coisa devido a letra A com, asinhas no capacete.
Quando eu era guri nos anos 80, eu era muito fã do Capitão América. No fim dos anos 70 eu assistia os desenhos animados da Marvel que eram exibidos no programa do Capitão Aza. (Aliás, até meus quatro anos de idade, eu achava que o Capitão Aza era o Capitão América por causa da letra A com asinhas em seu capacete). 

Para quem não viveu essa época, assista a abertura do desenho do Capitão América) E para quem viveu, vale a pena recordar). São só 25 segundos.



Havia algo de altivo naquele personagem que me fascinava. O patriotismo, a envergadura moral, o escudo que ele jogava nos malfeitores que sempre voltava na mão dele, sem contar com os murros e acrobacias de tirar o fôlego. Quando chegou 1985 eu tinha meus 12 anos. Foi a primeira vez que a minha ficha caiu sobre a Segunda Guerra Mundial. Era os 40 anos do fim do conflito e toda mídia – que na época, se limitava a TV, rádio, jornais e revistas - só falava sobre o assunto. E por coincidência, naquele mesmo ano, o Delegado Romeu Tuma havia encontrado a sepultura do carrasco nazista Dr. Josef Mengele, o Anjo da Morte.

Aquele assunto me chamou tanta atenção, que quando menos percebi, estava eu, um guri de 12 anos, lendo qualquer coisa que vinha a minha mão sobre a Segunda Guerra (Aliás, nunca parei de ler sobre). A mídia brasileira focava principalmente nas ações heróicas da FEB e do 1º Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira (Senta a Púa!). Mas uma matéria de várias páginas na antiga Revista Manchete me mostrou o outro lado obscuro e tenebroso da guerra. Foi aí que descobri as atrocidades do holocausto.
Já no primeiro número, o Capitão América
nocauteia Hitler.

Daí em diante, o Capitão América tomou uma proporção muito maior na minha visão de garoto. Ele era personagem que esmurrava e punha nazistas pra correr. Seu arqui-inimigo, o Caveira Vermelha era a personificação dos terríveis carrascos nazistas como o Josef Mengele da vida real. Eu sabia o que esses nazistas eram capazes de fazer, por isso, entendia a importância do trabalho do Capitão América em defender o mundo daqueles seres perversos.

A primeira história em quadrinhos que eu li do Capitão América que eu li, foi também naquele ano. Foi em na cidade de Vitória de Santo Antão – PE. Eu estava de viagem visitando a família. Meu pai me deu uns trocados e eu fui à feira local. Lá havia uma barraca que vendia revistas usadas onde eu comprei uma edição com várias histórias. Fui sortudo, naquela edição eles republicaram a origem do Capitão América e lembro muito bem que eu fiquei fascinado. Eu havia me identificado com a origem do herói e sua missão em libertar o mundo da ameaça nazista.

Com o fim da Guerra, o apelo do Capitão América desapareceu as vendas despencaram até que cancelaram a publicação. Só nos anos 60 foi que Stan Lee teve a ideia de reviver o personagem para compor seu novo grupo de heróis “Os Vingadores”.

Comigo, o apelo do Capitão América caiu quando eu tinha meus 15 anos. Foi quando eu entrei numas de ser esquerda modinha (Sim, por incrível que pareça, já fui comunista, mas não espalha!)

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Superman e o judaísmo.


A origem do Capitão América

Página de "Captain America #1". Mostrando a
transformação de um franzino recruta
em um super soldado.
Março de 1941 foi publicado a primeira edição do Capitão América. Na história, o jovem e franzino Steve Rogers tenta inutilmente se alistar no exército para combater as forças do Eixo. Seu porte físico estava muito aquém do que o exército precisava para os recrutas, ao ser posto de lado, Steve ficou choramingando pelos cantos, até que um militar de alta patente se sensibilizou com o espírito patriótico do rapaz e o convidou para fazer parte de um experimento chamado “Operação Renascimento” que estava sob responsabilidade do Dr. Reinstein. (Na verdade, seu nome era Dr.Abraham Erskine, Reinstein era seu codinome).
O espião nazista mata do o Dr.Erskine

Na experiência, Dr.Erskine injetou nele no recruta o “Soro do Super Soldado”, uma fórmula super secreta que só o Dr.Erskine sabia de memória,  pois temia que a fórmula pudesse cair em mãos erradas. Este soro fazia com que qualquer pessoa se tornasse 
um super atleta. A idéia simples, criar um exército de super soldados para combater a ameaça nazista na Europa. 

A experiência foi um sucesso e o magricelo Steve Rogers se tornou um soldado parrudão.  Infelizmente, havia um espião nazista infiltrado na experiência que matou o Dr.Erskine e  junto com ele a fórmula secreta e o sonho de um super exército. 

O exército então pôs o Steve Rogers (agora saradão ) pra treinar. Desde artes marcias até estratégias de guerra. Confeccionaram para ele um escudo indestrutível e um uniforme super patriótico. O colocaram em um avião e o mandaram para lutar na Europa. E assim nasceu o Capitão América. Sua primeira missão era acabar com os planos de sua contraparte nazista, o Caveira Vermelha. Um carrasco nazista medonho e como o nome já dizia, tinha a cara de uma caveira vermelha.
Dr.Abraham Erskine e o ainda franzino Steve Rogers -
 Na versão para o cinema:
Capitão América - O Primeiro Vingador (2010). 

O Capitão “Judeu”?

O Capitão América foi criado pelos judeus Joe Simon e Jack Kirby – Simon uma vez disse que o Capitão América, “Era nossa forma detonar com a ameaça nazista”.

Já na primeira capa, vemos o Capitão América dando um soco muito bem dado na cara de Hitler. Podemos ver essa capa como uma metáfora profética do que um dia acabou se realizando. A queda do Terceiro Reich.

O arqui-inimigo - O Caveira Vermelha.
Na história, podemos ver muitos elementos (Por mais que sejam fictícios que sejam) um reflexo da realidade. Podemos encontrar facilmente de onde Simon e Kirby tiraram suas inspirações para as histórias do Capitão América. 

Começando pelo fato que o nazismo era (e ainda é) uma ameaça real a democracia. A guerra estava só no início. A primeira edição foi publicada 9 meses antes do ataque a Pearl Habour, levando os EEUU entrou na Segunda Guerra.

Os líderes do Partido Nazistas assim como os generais de Hitler, pragmáticos, frios e cegos em sua ideologia foram representados pelo Caveira Vermelha. O assunto dos campos de extermínio nunca foi tema dos quadrinhos dos anos 40 pelo fato de que os campos ainda eram desconhecidos na época. Mesmo depois da revitalização do personagem nos anos 60, o tema do holocausto sempre foi um tabu.

A inspiração para o cientista que desenvolveu o “Soro do Super Soldado”, o Dr. Abraham Erskine pode ser facilmente apontada como judeu. O seu codinome "Dr. Reinstein" tem uma forte semelhança com o físico judeu Albert Einstein. Muitos cientistas alemães não quiseram colaborar com Hitler e acabaram saindo da Alemanha achando um porto seguro nos EEUU. Inclusive, muitos cientistas alemães ajudaram os Aliados com o desenvolvimento de tecnologia bélica, dentre a mais conhecida de todas, temos  Bomba H. Depois da guerra, houve a Operação Paperclip que teve como objetivo recrutar cientistas alemães para migrar e trabalhar nos EEUU. Dentre eles, está o famoso famoso Wernher von Braun.

O esteriótipo do cientista judeu humanista que trabalha em conjunto com os EEUU é comum em Hollywood. Temos como exemplo mais icônico o famoso Dr. David Levinson em Independence Day. (Lembra? Aquele cientista de óculos que teve a ideia de por um vírus no computador dos alienígenas... lembrou?) – Se bem que de um tempo para cá, vemos cada vez mais Hollywood substituir judeus por indianos como cientistas.

Fazendo um paralelo, podemos perceber a colaboração mútua que existe entre os Estados Unidos e o povo judeu, uma simbiose onde os Estados Unidos da América é o defensor de todos os seus cidadãos. Em troca, o povo judeu contribuiu nos campos da ciência, artes, entretenimento, indústria, comércio, etc. 

O que diz a Torah?


הַקֹּל קוֹל יַעֲקֹב, וְהַיָּדַיִם, יְדֵי עֵשָׂו
A voz é de Yaakov e as mãos, mão de Essav. 
(Bereshit/Genesis 27:22) 



É um erro ler a Torah apenas no nível literal. A história de Yaakov (Jacó) e Essav (Esaú) não pode ser lida apenas como um conto de um velhinho cego e que confundiu seu filho mais velho com o mais novo.  Há coisas muito mais profundas no texto.

Yaakov engana Isaac e toma a benção de Essav.
Yaakov (Jacó) era o filho inteligente e estudioso, por isso foi representado pela voz. O que a “voz” simboliza? Essa é a faculdade única do ser humano. Animais também se comunicam, mas só o homem é capaz de expressar idéias abstratas. A voz é uma representação do nível intelectual e espiritual do ser humano. Yaakov mais tarde terá uma elevação espiritual e será chamado Israel e seus descendentes foram chamados de Israelitas.

Já Essav (Esaú) é simbolizado pela “mão”, o símbolo do poder da ação, a mão empunha espada e a pena. Essav era totalmente focado na mão, ele era caçador, homem de ação, guerreiro. Tradicionalmente, os descendentes de Essav deram origem ao Império Romano (Ou Edom como é chamado na Bíblia), que igual a Essav, tinha a habilidade de construir e conquistar. A marca indelével do Império Romano existe até hoje na Civilização Cristã Ocidental.   


Mesmo que Yaakov e Essav sejam forças contrárias, podemos ver na história, que a sinergia entre essas duas forças sempre foram positivas. Vemos claramente o papel de Judeus como Don Issac Abravanel nas finanças da Península Ibérica e a contribuição de cientistas judeus na Escola de Sagres (Que contribui para as Grandes Navegações Portuguesas). Esses dois exemplos conseguem resumir essa união. O intelecto judeu com a habilidade de ação da cristandade.

Esse exemplo também é bem claro nos Estados Unidos. Esse é um grande país que teve toda sua fundação baseada nos valores cristãos e soube abrir suas portas para todos que queriam somar.  A contribuição de judeus nos mais diversos campos na história dos Estados Unidos foi determinante.

O fruto da mente do Dr. Abraham Erskine (Judeu) e a força de vontade de agir em prol de um bem maior do recruta Steve Rogers (cristã ocidental) foram capazes de gerar um herói tão magnânimo quanto o Capitão América.

Essa batalha entre os descendentes de Yaakov e Essav ainda existe claramente. Há muitos comentáristas que dizem que o dia em que houver um equilíbrio entre os filhos de Yaakov e Essav, esta será a era messiânica.


O grande comentarista Rashi  pergunta: "E quando Yaakov Jacob irá para Essav”?  Rashi cita o Profeta Ovadiah que diz: "Um redentor sairá de Sião para julgarem o monte de Essav" Esta é uma clara alusão a Era Messiânica quando até os descendentes de Essav retornarão a D’us e reconhecerão o papel exclusivo do povo judeu na história. Dessa forma, Yaacov, que representa a grande força intelectual, espiritual na história humana, está dizendo para Essav, a grande força física: "Eu lhe dou permissão para ir em frente e dominar a história humana fisicamente. Mas no fim dos dias, quando o 'leão se deitar com o cordeiro', então nós ficaremos juntos. Então os judeus assumirão o seu papel . (Talmud, Avoda Zara 8b)

A luta final será entre as idéias judaicas de Yaakov e as idéias dos filhos de Essav. Fontes judaicas retratam isso como uma batalha cósmica e um tema importante na história judaica. O Talmud usa a analogia de Cesaréia (capital romana administrativa de Israel, construído na costa de Israel mais de 2.000 anos atrás por Herodes, o Grande.) e Jerusalém para ilustrar essa rivalidade.  A Cesaréia representa os filhos de Essav e Jerusalém os filhos de Yaakov.

Cesaréia e Jerusalém: Se alguém vai dizer: "Ambos foram destruídos," não acredito nisso. Se alguém disser: "Ambos estão instalados", não acredito nisso. Mas se eles dizem, "Cesárea foi destruída e Jerusalém está instalada", ou "Jerusalém foi destruída e Cesárea está instalada" - você pode acreditar. (Talmud, Meguilá 6a)


Espero que essa união não fique só nas metáforas dos quadrinhos, mas que a cada dia, os filhos de Yaakov e Essav possam diminuir suas diferenças e juntos construir obras fenomenais e acelerar a vinda do Mashiach. 

sábado, outubro 05, 2013

Superman e o judaísmo.



Um herói como nunca havia existido antes.

Nos anos de 1930, havia muitos heróis para a molecada. Quem nunca ouviu falar em Zorro (1919), Buck Rogers (1928), John Carter (1912), Tarzan (1912), Flash Gordon (1934) e o Fantasma (1936). Todos esses heróis fascinavam os meninos (e alguns adultos) com histórias fantásticas , realizando feitos heroicos com coragem e bravura.  Eram homens de moral ilibada e personalidade humilde e altruísta. A maioria se escondia por traz de uma identidade secreta, nunca levando créditos ou vantagens financeiras por seus feitos (Se bem que sempre acabavam dando dando uns beijos na mocinha).
Famosos heróis de ação antes dos super-heróis.
Mas tudo isso mudou em junho de 1938. Nas bancas de revistas nos Estados Unidos, um novo conceito de herói surgia. Ele era mais rápido que uma bala, mais forte que uma locomotiva e era capaz de saltar os mais altos prédios. Surgia nas páginas da revista “Action Comics #1” o primeiro super herói da história moderna. O Superman (Que no Brasil recebeu o nome de Super-Homem).  Para se ter uma ideia, os pouquíssimos exemplares que ainda existem da Action Comics No 1 são as revistas em quadrinhos mais caras do mundo. Em 2011 um exemplar que pertencia ao ator Nicholas Cage foi vendido por US$ 2,1 milhões.
Capa da primeira edição da Action Comics
Mostrando um novo estilo de herói com
 poderes sobre humanos.

Igual aos seus antecessores, o Superman tinha um ótimo caráter. Defendia os fracos e os oprimidos. Possuía uma envergadura moral inquestionável. Mas o Superman era capaz de fazer o que nenhum homem comum podia fazer. Já na capa da primeira edição da Action Comics, podemos ver o Superman segurando um automóvel acima da cabeça somente com sua própria força. Isso era inacreditável, incrível, fantástico! O conceito de um herói com habilidades muito acima das capacidades humanas era tão revolucionário para a época, que os seus criadores imaginaram que ele não era desse planeta, pois não se passava na cabeça das pessoas nenhuma forma de uma pessoa normal adquirir poderes, aliás, a partir do Superman, surge novos termos: Superpoder e super-herói. E dá-se início a Era de Ouro dos Quadrinhos.

 O primeiro super-herói da história gerou muito dinheiro! O Superman virou um sucesso absoluto. Logo saiu das páginas dos quadrinhos para as ondas de rádio. Depois semanalmente no cinema.  E até hoje seu sucesso perdura. Seu símbolo em forma de S no peito é uma das marcas mais conhecidas do mundo, rivalizando com os logotipos da Coca-Cola e McDonald’s assim como símbolos religiosos como a cruz cristã.

Leia também



A origem judaica.

Jerry Siegel e Joe Shuster
O Superman foi criado por dois jovens judeus nos Estados Unidos, filhos de judeus imigrantes e amigos de escola na cidade de Cleveland no estado de Ohio. Jerry Siegel nasceu e cresceu em Cleveland, já Joe Shuster nasceu em Toronto – Canadá e mudou se com a família para Cleveland com ainda tinha seus 9 anos.
Jerry Siegel cresceu em uma vizinhança predominantemente judaica com dezenas de sinagogas ortodoxas. Segundo suas memórias, um dos motivos que o levaram a criar o Superman estava exatamente no antissemitismo que ele e todos em sua vizinhança sofriam. E por viver em um ambiente judaico que é rico em histórias e contos, a figura heroica e poderosa de Shimshon (Sansão) se tornou a base da criação do personagem.


Shimshon (Sansão) foi uma das inspirações 
bíblicas na criação do Superman.


Superman e as conexões com a Torah.

Na imensidão do espaço, havia um o longínquo planeta Kripton, esse planeta estava preste a explodir. O cientista Jor-El e sua esposa Lara não tinham outra escolha. Para salvar seu único bebê chamado Kal-El, tiveram que enviá-lo para o espaço em uma pequena nave. E essa nave veio parar aqui na Terra na pequena
O bebê Kal-El foi enviado para o
espaço por seus pais minutos antes
 do planeta Kripton explorir.
cidade rural de Smalville. O bebê Kal-El foi adotado pelo casal de fazendeiros Jonathan e Martha Kent que o nomearam Clark Kent. Ao crescer, foi para a cidade de Metropole trabalhar como jornalista no jornal Planeta Diário. Nessa profissão, Clark Kent, poderia estar sempre ausente da redação do jornal e assim, poderia atuar como o Superman sem ter que dar muitas explicações.

Podemos encontar ecos bíblicos na origem do Superman em Moshé (Moisés), que foi colocado em uma cesta caso contrário iria morrer devido ao decreto do Faraó. Ambos os bebês foram criados em uma cultura estrangeira. Moshé foi criado pela filha do Faraó e Moisés por fazendeiros terráqueos.
O nome kriptoniano do Superman, Kal-El em hebraico (קל-אל) literalmente significa “Voz de Deus”. Assim como o nome de seu pai Jor-El (Yor-El) é um nome hebraico comum. Suas variações são: Jorell, Jarel, Jerel, Jorrel, Joel, Joren, Jorey e Sorel. O sufixo – El é uma das primeiras palavras em hebraico para se referir a Deus. Vemos esse sufixo em muitos nomes de origem hebraico que aparecem na bíblia como: Daniel, Samuel, Gabriel, etc.

É muito fácil também fazer um paralelo entre o Superman e os melachim (anjos). O Superman fica sobrevoando a cidade a protegendo.

Outra semelhança bíblica está no fato de que assim como Shimshon (Sansão), o Superman também tem um ponto fraco. Shimshon por ser um nazireu, não podia cortar os cabelos, o Superman é torna-se fraco com a kriptonita.

Outra influência judaica é a questão da identidade secreta. Nos Estados Unidos, eram muito comuns os imigrantes - não só judeus - que mudavam seus nomes e sobrenomes para não sofrerem preconceitos. Alguns exemplos: Nomes como Neumann e Weiss foram mudados para as formas inglesas Newman e White.  Logo, Kal-El usava o nome de Clark Kent para poder trabalhar no Planeta Diário.

Superman precisa usar roupas e adotar um nome terráqueo
para esconder sua verdadeira identidade.
O mesmo ocorria na forma de se vestir. Para poder entrar no mercado de trabalho nas grandes metrópoles, judeus usavam roupas mais americanizadas. E somente em seus meios é que se vestiam como judeus. Já o Superman usava roupas comuns quando ia trabalhar no jornal. Mas quando tem que salvar o mundo, Superman / Kal-El usa seu traje azul e capa vermelha kriptoniana.

Há alguns afirmem que o seu famoso símbolo com a letra S seria na verdade a letra ש (Shin)  mas não há evidencias que confirmem que esse paralelo exista. O mais provável mesmo é que o S foi usado no símbolo do Superman pelo fato de que seu nome comece com a letra S. Faz parte da cultura americana usar uniformes com a primeira letra inicial da instituição,  vemos esse padrão por exemplo, em uniformes de agremiações esportivas de escolas e universidades.

Por fim, os próprios valores bíblicos são defendidos pelo Superman.  Um homem honesto, valoroso, humilde, trabalhador e mesmo com muitos poderes, usa seu livre-arbítrio para fazer boas e sábias escolhas.

Por fim, os super-heróis foram mais uma das grandes contribuições dos judeus a humanidade. Com o sucesso desses novos personagens, uma mitologia foi criada e por todo o mundo, crianças recebem através de desenhos animados, suas primeiras lições de moral. Quem nunca viu um desenho onde o herói diz a célebre frase: “O crime não compensa”.

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